Psicologia Sagrado Feminino

Personalidade feminina: qual deusa grega é mais forte em você? – Parte 2

Escrito por Mayara Carvalho

Se você não se identificou muito com Afrodite, Atena e Ártemis, vistas em nossa parte 1, talvez encontre alguns traços da sua personalidade em nossas próximas deusas. E na terceira e última parte dessa série, poderá fazer o teste para identificar com mais clareza como elas estão presentes no seu mundo interno ;-]

Deusa Hera

Palavras que evocam Hera: poder, casamento, liderança, tradição, moralidade, matriarca…

Hera é a esposa de Zeus e, por ter tido sua história contada por homens, teve sua imagem bastante distorcida. Vista como dominadora e ciumenta, ela também pode ser analisada, hoje em dia, como uma deusa que absorveu valores patriarcais, mas que justamente por ser uma mulher, estará sempre tendo que lutar e pagar um alto preço por um poder que nunca lhe será concedido totalmente.

Independentemente dessas reflexões mais amplas, uma mulher-Hera vivenciará valores como o casamento de um ponto de vista patriarcal e se alimentará do poder social que seu marido terá. Por exemplo, para essa deusa é muito importante a tradição, e o casamento é visto como uma parte muito essencial da existência. Ela será sempre atraída por homens que dispõem de cargos importantes e de uma condição financeira que a coloque em destaque em círculos sociais.

Comumente vista como líder (seja sendo a síndica de seu prédio ou a presidente da associação de pais da escola de seus filhos), a mulher-Hera gosta de comandar e ver as coisas acontecerem segundo seu planejamento. Seus filhos poderão sofrer com as pressões maternas, sempre em busca de perfeição e prestígio social. E, infelizmente, se ela não buscar um equilíbrio com as outras deusas que a habitam, a mulher-Hera poderá ter dificuldade em ser afetuosa e estará sempre insatisfeita – já que ninguém pode estar no controle de tudo que acontece.

“Não que a jovem Hera não tenha ambições como Atena, e sim que as suas ambições incluem marido, filhos e família. Neste aspecto, poderíamos dizer que ela é muito mais ambiciosa do que a irmã; Hera quer tudo. Ela quer uma casa confortável, segurança, um marido confiável, filhos maravilhosos, um lugar respeitado na comunidade e, muitas vezes, um emprego. Em geral, ela é realista o suficiente para perceber que não poderá ter lar e trabalho ao mesmo tempo. De modo que, alegremente, quase obsessivamente, ela irá se dedicar à família por quanto tempo for necessário. Ficará zelosamente em casa, trabalhando talvez como voluntária na comunidade local ou na escola dos filhos a fim de manter ativo o seu lado organizacional.” (p. 150)

Quando uma mulher-Hera concentra sua energia e atenção em seus próprios potenciais, poderá usar seu dom organizacional e de liderança para ter um trabalho em que possa brilhar por si mesma. É de extrema importância que ela busque expandir seu autoconhecimento para que as outras deusas possam se manifestar em sua vida, deixando que Afrodite traga leveza e paixão, que Ártemis mostre o lado libertador (e simples) de viver mais próxima aos ritmos da natureza, colocando em perspectiva o tanto que ela está focada em ter um lugar social que muitas vezes é puramente baseado em aparências e jogos de poder.

Zeus e Hera

Deusa Perséfone

Palavras que evocam Perséfone: mediunidade, sonhos, cura, poder psíquico, mundo avernal…

O mito de Perséfone é muito ilustrativo de jornadas interiores que todas nós podemos fazer em algum momento de nossas vidas. A jovem filha de Deméter é raptada por Hades, o senhor do mundo dos mortos. Sua mãe, por ser a deusa das colheitas, descuida de seu trabalho por conta da aflição de ter perdido a filha. O mundo torna-se frio e escasso como um reflexo de sua dor.

Essa situação abalou todo o Olimpo, e através de um trato que determinou que Perséfone passaria alguns meses por ano com Hades e o resto do tempo com sua mãe, um equilíbrio foi estabelecido. Perséfone, soberana do mundo avernal, ao mesmo tempo em que é um donzela da primavera, adquiriu uma formação psíquica dual. Foi através de seu mito que os povos antigos explicaram as estações climáticas, sendo o inverno a representação máxima da saudade que Deméter sentia da filha, em contraposição ao meses em que elas estavam juntas, quando a terra se tornava fértil e abundante novamente.

Traumas, perdas e a morte de pessoas amadas podem nos arrastar para o mundo avernal que Perséfone habita e fará parte da nossa trajetória mítica pessoal enfrentarmos essa obscuridade e encontrarmos a saída. Muitas vezes, é essa descida ao submundo que nos permite desvelar nossa força interior e talentos que estavam adormecidos.

Geralmente, as mulheres-Perséfone são marcadas desde cedo por algum evento que as colocam no reino de Hades: um abuso (físico, emocional, sexual) por parte dos pais, por exemplo, pode quebrar sua confiança com o mundo externo e fazê-la se refugiar em um lugar interno em que é sempre inverno.

“Estranhamente velha antes do tempo, Anciã antes de ser inteiramente Donzela, Perséfone tende a ser mais sábia do que a sua idade nos faria supor. Por fora, ela ainda preserva o ar inocente da Donzela, uma espécie de adaptação congelada à imagem da sua perda; mas, internamente, sente-se sobrecarregada com um conhecimento que mal pode suportar.” (p. 186)

Quando a mulher-Perséfone consegue empreender uma jornada de autocura, e assimilar a energia potencial de outras deusas de forma harmoniosa, ela poderá se tornar psicóloga, terapeuta holística, sacerdotisa de alguma ordem espiritual, estudiosa de mitos e arquétipos religiosos… O mais importante para ela ser bem-sucedida em qualquer área profissional é que ela aprenda a lidar com sua dupla cidadania e cíclico translado entre dois mundos: material e metafísico. Sua riqueza interior e visitas frequentes ao universo de seus sentimentos também poderão ajudá-la a ter uma expressividade artística. Escritoras, pintoras e musicistas que retratam temas góticos, obscuros e sobrenaturais, por exemplo, ilustram mulheres-Perséfone que usam a arte para lidar com o mundo avernal.

“Como já vimos, o caráter da mulher-Perséfone não é nada fácil de entender. Muitas mulheres-Perséfone são altamente reservadas e, muitas vezes, reclusas. O desgaste psíquico de permanecer em meio às pessoas e à agitação dos mercados frequentemente faz com que elas se retirem do cenário social e tentem se manter, apesar das dificuldades, à margem da sociedade. Essas mulheres precisam de muito tempo sozinhas, levando a cabo seus projetos secretos, suas reflexões, sua comunhão com o mundo invisível. Isso é o que significa viver a maior parte de sua vida no mundo avernal, entre os espíritos.” (p. 180)

Quando não teve a oportunidade de trabalhar terapeuticamente os conteúdos obscuros de seu mundo interior, a mulher-Perséfone poderá ter um ego frágil e, por isso, ser facilmente manipulada por outras pessoas (ou organizações religiosas, por exemplo) que pareçam poder guiá-la até a saída do reino de Hades, então este é um aspecto importante para ser reconhecido e um alerta para toda mulher que tiver se identificado com esse arquétipo.

Uma das feridas de Perséfone é a alienação que ela sofre de sua mãe (que em termos pessoais representa uma distância com as características amorosas e maternais de si mesma) e de outras deusas, como Afrodite. O pior cenário, neste caso, é ela passar toda uma vida sem conhecer os prazeres do próprio corpo e o alento que é participar de uma relação de confiança na qual há cuidado e nutrição mútua (seja em um casamento, amizade ou mesmo numa relação entre mãe e filhos).

Quando consegue completar seu aprendizado no mundo avernal e tornar-se também uma rainha do mundo dos mortos, a mulher-Perséfone adquire sabedoria, força e uma sensibilidade incomparável. O arquétipo dessa deusa (e da sua ligação com Deméter), diz respeito também aos mistérios dos ciclos femininos, sobre a constante dança de morte e renascimento que passamos internamente, através do nosso ciclo hormonal.

Simbolicamente, nosso útero é nossa lua interna, também composta de quatro fases. Quando estamos menstruadas vivenciamos a fase da lua nova (também conhecida como lua negra) e temos uma tendência a ficar mais recolhidas, introspectivas. Neste momento estamos fazendo uma grande purificação física e energética, através de nosso sangue (reconhecido como sagrado nas tradições espirituais e culturais mais antigas da humanidade). Quando vivenciamos nossa lua nova interior ficamos mais próximas de Perséfone e de sua sabedoria em fluir por ciclos, de quem sabe mergulhar profundamente em si mesma e utilizar bem a energia de cada momento, seja como rainha do submundo ou como filha da deusa-mãe das colheitas.

“No mundo avernal, Perséfone faz um trato com Hades para poder retornar à terra e ficar com sua mãe, Deméter, durante uma parte do ano. Ela deverá permanecer com Hades por um número de meses igual ao número de sementes de romã que engolir, tradicionalmente quatro, o que perfaz um terço do ano. Considerando-se a imagem de sangue e semente desta fruta, parece altamente provável que a transação feita também simbolizasse o ciclo menstrual, aquela parte do mês em que o corpo da mulher tem de sofrer a morte da vida potencial que havia dentro dele. O que é uma outra maneira de dizer que durante a fase de morte do seu ciclo toda mulher tem que conviver com seu Hades interior. Se não se torna consciente na vida de uma mulher, esse encontro com a inevitabilidade da morte pode produzir toda espécie de dificuldades menstruais e pré-menstruais. Reverenciar Perséfone é reverenciar o ciclo perpétuo de vida e morte. Esta é a tese principal de um livro brilhante mas pouco conhecido, The Wise Wound, de Penelope Shuttle e Peter Redgrove.

O retorno à mãe, a Deméter, não é, no entanto, o retorno de uma donzela, e sim de uma deusa madura, que agora conhece a sexualidade, a morte e a separação. O retorno é um lembrete de que as duas deusas são na verdade uma, de que juntas elas representam a totalidade da Grande Mãe – a deusa capaz de separar-se de si mesma infindavelmente, de morrer infindavelmente e de renascer infindavelmente como mulher, como terra, como cosmos.” (p. 203)

Hades capturando Perséfone

Deusa Deméter

Palavras que evocam Deméter: maternidade, primavera, cuidado, mãe-terra, abundância…

Todas as deusas podem ser mães, cada uma a seu modo, mas Deméter é a Mãe Suprema, mãe de toda humanidade e a deusa que está mais próxima da visão que os povos mais primitivos tinham de Gaia enquanto uma divindade: a mãe-terra.

E essa é a principal característica de Deméter, o princípio norteador de sua existência, diferente do que acontece com as outras deusas, como Jennifer e Roger Woolger explicitam no seguinte trecho:

“Afrodite é uma mãe sensual e leniente, que adora vestir os filhos e mimá-los com gostosuras, e que gosta de ir com eles ao cinema. As mães Ártemis têm uma meiguice meio selvagem, e tratam os filhos mais como filhotes de fera do que qualquer outra coisa. Atena mal pode esperar que os seus aprendam a falar e possam se expressar para conversar com eles e estimular sua educação e aprimoramento mental. Perséfone também é profundamente envolvida com os filhos, mas de uma maneira mais psíquica e intuitiva do que em termos de bem-estar físico deles. A mãe Hera é tão cheia de regras, censuras e expectativas que resta pouca ternura na sua maneira de criar os filhos. E, todavia, é somente Deméter que se identifica plenamente com todas as atividades da maternidade, quase à exclusão dos outros interesses.” (p. 210)

Importante ressaltar que como temos todas as deusas em nós, algumas mais ativas do que outras, vamos nos identificar com alguns aspectos desses arquétipos e não necessariamente com todo o conceito que foi apresentado de cada deusa.

Essa visão de uma mulher-Deméter, por exemplo, que direciona toda sua energia para a maternidade, talvez, seja até rara de ser encontrada atualmente, mas podemos identificar em nós ou em mulheres próximas, que em algum momento da vida ou, até mesmo, em alguma fase do mês ou da semana nós estamos profundamente conectadas com nosso lado Deméter em detrimento de outros interesses.

Você pode ser uma profissional dedicada e competente, feliz com seu trabalho (bem ao estilo de Atena) de segunda até sexta, mas considerar seu final de semana com seus filhos sagrado e realmente se divertir e apreciar tudo que pode fazer com sua família, tendo uma aversão, inclusive, a falar ou pensar em qualquer assunto profissional nesses momentos.

O bom de conhecer os arquétipos das deusas é dar uma imagem para essa flutuação energética e emocional, é reconhecer que em determinados momentos é a deusa Hera, e não Ártemis, por exemplo, quem está se manifestando através de você em dada situação. E o melhor de tudo é poder identificar, na sua história de vida, a presença e flutuação dessa grande dança das deusas em você e, empoderando-se desse conhecimento agora, poder se perdoar por não ser sempre da mesma forma e buscar caminhos de harmonização com as deusas que identificou como feridas em seu universo psíquico.

A deusa Deméter, quando é a principal influência na vida de uma mulher, pode se manifestar desde a infância ou ser despertada apenas com o desejo (ou o acontecimento em si) da maternidade. É comum, hoje em dia, escutar mulheres-Atena, fortemente alinhadas com os valores de dedicação exclusiva à carreira, se descobrirem grávidas “acidentalmente” e só com esse processo, às vezes apenas com o nascimento da criança, encontrarem a deusa Deméter com toda sua potência. É assim que grandes executivas, atrizes de sucesso, pesquisadoras com uma pilha de títulos acadêmicos são pegas de surpresa por uma deusa que até então desconheciam em si mesmas e, ao menos por um tempo, são totalmente rendidas por esse sentimento maternal. Isso pode ser vivido com leveza e naturalidade, ou pode provocar grandes crises existenciais, pois essa mulher pode não se reconhecer e sofrer por brigar com o que está lhe acontecendo, querendo retomar sua carreira quase como se nada tivesse mudado em sua vida depois da maternidade.

Como vivemos em uma sociedade regida por valores patriarcais, uma mulher que passe por esse processo de ter sua Deméter despertada intensamente, poderá ver-se cobrada para retomar sua carreira e incompreendida na etapa que está vivendo.

A jovem mulher-Deméter, que já caminha lado a lado com a energia dessa deusa desperta em seu modo de pensar e sentir o mundo, terá uma sexualidade descomplicada e passional, mas o problema poderá ser um excesso de solicitude em relação ao parceiro(a), e inconscientemente começar a maternar esse companheiro(a).

Já a mulher-Deméter, quando cresce e consegue exercer seu lugar materno através de seus próprios filhos, pode realmente perder o interesse por outros assuntos, pode ver-se psicologicamente encaixada no mundo ocupando uma função de doadora. Este é um estado emocional que os autores chamaram de “sem ego”. Essa definição é importante porque vivemos uma cultura em que o ego é colocado como dirigente de nossas vidas, nos apegamos a ele como se ele fosse a totalidade da nossa personalidade e essência. Por isso é tão importante que culturas orientais, atreladas ao universo da meditação, tragam seus conceitos que iluminam outras compreensões de vida, que colocam luz no nosso ser.  Não há nada de errado com o ego e nem ele pode ser destruído, pois faz parte de nós e tem muitas funções importantes. A desmedida de colocá-lo no comando de nossas emoções, talvez, é que seja a fonte de tanto sofrimento.

“Muitas mulheres, nas quais Deméter está ausente ou bem oculta porque ferida, se sentem tentadas a ridicularizar a “santidade” da Deméter natural ou a desprezar o que parece ser uma falta de inteligência. É extremamente difícil para Atena, Ártemis e Hera, que têm egos tão desenvolvidos e maneiras tão pragmáticas/racionais de agir, colocarem-se no estado de espírito sem ego de Deméter.” (p. 232)

Por ser uma deusa campesina, Deméter foi perdendo espaço pouco a pouco, enquanto uma deusa urbana como Atena se fortaleceu ao extremo. Esse tipo de desequilíbrio é ruim porque deixa muitas mulheres desconfortáveis nas grandes cidades, em empregos específicos sendo vistos como os únicos aceitáveis para uma vida bem-sucedida. Outra ferida causada a uma mulher-Deméter é a exclusão social que ela sofre depois que tem seus filhos, porque não há praticamente nenhum espaço cultural em que as mulheres sejam bem-vindas com suas crianças. A não ser nas festas infantis, essa mulher tende a ficar bastante isolada de outros adultos ou a se ver forçada a deixar os filhos em casa para interagir com outras pessoas que nunca estão interessadas nas emoções e angústias que ela vive cotidianamente como mãe.

Uma mulher-Deméter plena, talvez, fosse sentir-se muito feliz em poder expressar sua criatividade e seus dons para além da maternagem direta de seus próprios filhos. As mulheres, nas organizações sociais mais antigas, não ficavam isoladas da vida em comunidade (a não ser que assim o quisessem), até porque eram vistas como sagradas representações vivas da Grande Deusa e podiam participar das atividades com mais autoridade e dignidade, sem para isso precisarem se desconectar de seus ciclos e vestir uma roupagem masculina.

Então, uma das feridas modernas de uma mulher-Deméter em plena atividade é o isolamento social e um sentimento de inferioridade em relação às outras deusas e modelos de vida que são considerados muito mais admiráveis do que a “simples” função de ser mãe. Uma triste ironia, não é mesmo? Pois todos viemos de uma mãe e sabemos a importância indescritível que é a presença desse ser em nosso desenvolvimento pessoal. Uma sociedade que relega a criação dos filhos a um segundo plano, como uma atividade de menor importância (e faz isso em termos simbólicos e sutis), está fadada a ter que mudar radicalmente para seguir sobrevivendo ou caminhará inevitavelmente para uma autodestruição.

Outra ferida de Deméter é o distanciamento que ela sofre, mesmo na maternidade, da sua intuição natural. Não é por acaso que nos últimos tempos temos visto campanhas como a do Parto Humanizado ganharem força, tamanha é a necessidade de se discutir os direitos das mulheres neste âmbito. As mulheres grávidas são rapidamente imersas em contextos médicos que as destituem de sua sabedoria interior e a criação dos filhos sofre imensa influência de outros profissionais, negando a essas mães o direito de se experimentarem e construirem uma relação mãe-filho mais livre, mais leve e natural.

Muito mais poderia ser dito sobre Deméter e as outras deusas, mas como a intenção com este resumo foi apenas apresentar esse conteúdo e despertar sua curiosidade para aprofundá-lo, se assim fizer sentido para você, vou encerrar com mais dois trechos do livro que elucidam, indiretamente, a importância do movimento global conhecido como Resgate do Sagrado Feminino. Importante lembrar que esse movimento possui muitas particularidades de acordo com a cultura de cada lugar e você pode encontrar nesse universo chaves para seu autoconhecimento e equilíbrio emocional e físico. Foi assim comigo e também por isso que eu me tornei uma estudiosa e divulgadora do Sagrado Feminino, pois a cura para este planeta perpassa o despertar de todas as mulheres.

“É difícil para nós hoje imaginar o que seria haver uma deusa e os mistérios da terra no cerne da vida cultural e espiritual. Mais de dois mil anos de cultura judaico-cristã nos acostumaram a pensar em tudo o que é divino como masculino, estando de alguma forma “lá em cima” no céu. Como resultado, nós praticamente esquecemos o que significa considerar a terra em que pisamos como sagrada, como verdadeiramente a nossa mãe, como local onde habitam deusas e deuses.” (p. 215)  

“Concordando com Jung e com os muitos autores que ele inspirou, nós também achamos que a maioria das perturbações menstruais e ginecológicas podem ser, em última análise, atribuídas às atitudes profundamente negativas com que tantas mulheres aprenderam a considerar os seus corpos em geral e a função menstrual em particular – o que resumidamente poderíamos chamar de um denegrir dos mistérios femininos do sangue. Quaisquer que sejam as origens precisas de a menstruação ser chamada de “the curse” [“praga” ou “maldição”] nos países de língua inglesa, esta e muitas outras expressões depreciativas para o período menstrual revelam diante do corpo feminino uma atitude que seria considerada profundamente patológica em qualquer outra cultura que não a nossa.” (p. 224)

Pintura de Jean-Antoine Watteau (1718)

**

Como você se sente em relação ao fato de ser mulher, de ser cíclica, de ter tantas facetas compondo a sua totalidade? Muitas reflexões importantes podem ser aproveitadas desses estudos simbólicos acerca do universo psíquico feminino. Espero que este conteúdo em particular possa contribuir com seu autoconhecimento. Abraços afetuosos e até breve, com o polêmico teste das deusas! ^^

Sobre a autora

Mayara Carvalho

Psicóloga, Terapeuta Transpessoal, ThetaHealer, Life Coach, facilitadora de círculos de Mulheres, estuda os Movimentos de Resgate ao Sagrado Feminino e o Método de Autoconhecimento Pathwork.